Nesta sexta-feira (5), o Ibovespa recuou 0,77%, atingindo 169.019,12 pontos, enquanto o dólar comercial subiu para R$ 5,1572. O movimento refletiu dados de emprego acima do esperado nos Estados Unidos e a escalada de tensão no Oriente Médio após declarações do governo iraniano, impactando os mercados globais.
O mercado financeiro registrou forte instabilidade nesta sexta-feira (5). O principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou em queda de 0,77%, aos 169.019,12 pontos. Acompanhando a desconfiança global, a cotação do dólar saltou 1,78% no mercado à vista, encerando o dia cotada a R$ 5,1572, maior valor registrado nos últimos dois meses.
O grande motor do pessimismo nos mercados internacionais foi o relatório de empregos dos Estados Unidos, conhecido como payroll, divulgado pelo Departamento do Trabalho do país. A economia americana gerou 172 mil vagas de trabalho em maio, superando significativamente a estimativa média dos analistas, que projetavam 85 mil postos. O resultado reforça a leitura de uma economia aquecida, o que eleva os temores de que o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, possa manter ou subir a taxa de juros para conter a inflação.
Geopolítica e impactos na economia local
Além dos números econômicos nos EUA, a crise diplomática no Oriente Médio pressionou os investidores. Mohsen Rezaei, conselheiro do líder supremo do Irã, declarou que o conflito com os norte-americanos e Israel pode se expandir até o Oceano Índico caso não haja acordo. O representante do governo persa cobrou também a liberação de US$ 24 bilhões em ativos do país que estão congelados sob sanções internacionais.
Entre os papéis negociados na Bolsa de Valores, a fabricante de aeronaves Embraer se destacou com forte alta, impulsionada pelo anúncio de venda de novas aeronaves. Por outro lado, mineradoras e siderúrgicas como CSN e Vale registraram quedas expressivas na sessão.
A valorização da moeda norte-americana traz reflexos indiretos para o Norte de Minas Gerais. O avanço do dólar tende a encarecer insumos importados para a produção agrícola da região, além de gerar repasses para os combustíveis e pressionar a inflação ao consumidor em Montes Claros e cidades vizinhas.